Guarda-roupas

Quanto de uma mulher

Se conhece

Ao adentrar suas gavetas.

 

Ontem foram 70

Amores,

Pesares

Dores e perdões.

 

Cartas, antigas fotos e certidões

Dos casamentos, dos óbitos

E nascimentos.

Fartas

De medo e peso

Arrependimento e vergonha.

 

Sei o que guarda para si

Para não sumir,

Com o que havia de bom.

 

Aos que atravessam,

Ela ensina sobre viver

Por amor

 

As alianças, o relógio e a esperança

de muda-lo

Ficam guardadas na mesma caixa.

Pequeno Poeta

Fala rápida
Desconcertante
Olhos inquietos
energia que
Contrapõe, rompante
de calmaria.
quando recita,
é poesia

A voz corta o ar
solta os cabelos
Faz soar
ganha estatura
E na ponta dos pés
se exibe
pequeno
a “Transfigurar” melodia.

Vocês são linda e incomodamente parecidos…

Aquariano

Você me dá medo

Com esse sorriso frouxo

Essa maneira de levar a vida

Como se fosse fácil

Como se fosse festa

 

Leve feito ar

Volátil feito vento

E eu, me reinvento

Pra te acompanhar

 

Mas você me dá medo

De se cansar

De ficar pesado

E de ser fardo

Pra você carregar

 

Você me dá medo

De ir embora

E dessa boca grande

Anunciar a hora

De voar

amo você
amo você

 

asas alçam voo,

a cada distância

menos chão pra pisar

é uma entrega ao risco

sobre o existir, dançamos

nesse ritmo

 

amo você

amo você

 

que seja pleno

cada momento

contemple como é

cada segundo

único

e com quem estiver

possa dizer

 

amo você

amo você

 

e que não caibam juízos

nesta frase

 

amo você

amo você

 

                -Lederson Nascimento, EU’s-

 

 

                                                       “ A todos que amo,

                                                                              Amei,

                                                                               e amarei.”     

 

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Lacre

o corpo cobra

que me envolva

removendo

lacre

seja presente

penetre

a pele

epiderme

do gozo

o corpo se perde

entre as unhas

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Amor é fluido,

transforma.

lambuza os dedos,

lambe,

escorre pelas bordas

Trans-borda

lava alma

molha

 

 

 

amor é rio

Queria ser folha

Saí discretamente. Não sabia e nem podia dizer nada.
Preciso de um tempo sozinha, nesse lugar que eu escolhi vir, com pessoas que eu amo e com quem escolhi estar.
Não, não dá pra dizer isso, não seria justo com eles.
Saí calada, sozinha, sem fazer barulho. Desci pela pequena, úmida e acidentada trilha que levava ao riacho, fui pensando no quanto aquela sensação tem sido presente e o quanto eu parecia buscar por ela.
Solidão.
Cheguei na beira do riacho sem muitas dificuldades, ironicamente, mesmo me sentindo presa dentro de mim, o corpo respondia forte e ágil.
Sentei na beira do rio, o rio de Macacos talvez?
Alguém havia me dito que era isso, mas agora pouco importava. Era um rio e eu, precisava da água.
Água.
Sempre fui muito ligada a água, um sentimento de pertencimento maior do que eu já tive com qualquer outra coisa na vida.
Ela me acolhe, sustenta meu peso, cessa as vozes ao redor.
Dizem que nasci na água, sei que nasci sob a lua.
A água me devolve a mim.
Mas essa água, esse rio, meio sujo, meio turvo não eram suficientes pra me envolver. T
udo bem, só precisava estar ali, respirar.
Tentei meditar, nesse lugar que em outros momentos seria mágico mas agora, era só um lugar.
Tentei recuperar o encantamento de estar ali a primeira vez.
Algo me impedia.
A água. voltei minha atenção a ela. Voltei meu olhar para o rio e a correnteza, que carregava as folhas, parecia rápida demais pra mim, lenta, sentada a margem.
Queria ser folha.
O rio corria e com ele os pensamentos me atingiam feito pauladas. Um misto de lembranças, culpa, frustração e dor, saudade.
Queria ter tido mais tempo.
As imagens que vinham à mente, as conversas na loja, seu sorriso, o declamar, a risada estrondosa feito trovão, maldosa.
Todo esse amor selado dentro de mim agora doía.
Doía numa intensidade que eu não sou capaz de expressar. Doía, ardia e fazia a cabeça girar.
Uma borboleta azul cruza o céu, me tira do turbilhão.
Talvez fosse você? Seria no mínimo irônico, considerando sua falta de crença. À observei voar, linda e brilhante pelo caminho estreito do Rio. Percebi que chorava.
A consciência do ato veio com a leveza de quem percebe que dança, ao som de uma música conhecida.
Senti vir de dentro, tomar conta do corpo, toda a água forçando saída, Chorei.
Percebi nesse momento, o que antes, me impedia de meditar.
Sou uma represa, segurando toda água do rio, toda dor, sem deixar escoar.
Agora, eu queria ser rio.
Rio de água doce que levou o barquinho que te pedi, um ano atrás, que mandasse a Iemanjá, em busca de paz.
Mas a paz que eu tanto pedia, a rainha d’água concedeu a você.

Essa experiência devia ter mudado alguma coisa.
Esse chorar largado na beira do rio, devia ter lavado minha alma.
Eu deveria voltar o caminho, entendendo melhor essa relação da vida com a morte, me sentindo melhor. Mas a verdade é que eu voltei me sentindo a mesma merda.
E hoje, mais do que ontem, a saudade doí.

Você vive
Entre o pulo
E o mergulho
No vazio
De cair

Intenso
Se joga de cabeça
Sem nunca alcançar
A água
Sem
se molhar

Vive a margem
Na superfície
E é preciso coragem
Para mergulhar

Mas quando quiser
Vem,
Que te ensino

a nadar

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