Castelo

 

No dia que houver paz

As paredes dessa casa vão ruir
Cada janela, cada cômodo, cada móvel
Vai virar pó sob o peso da liberdade
De não poder escorar
A culpa da própria infelicidade
Nessas paredes encharcadas
Vivo pra assistir a derrocada
Dessa casa
Mas na contramão
Me perco nos corredores infindáveis
Desse castelo de ruínas
A dor é leve aqui
E está tudo ao contrário
Pros regentes desse castelo,
Confortável é o medo
Para os regentes desse castelo
Confortável é a dor
Rivotril não faz passar a vontade de chorar
Choro até dormir
Ironicamente, a janela do meu quarto,
virada pra rua, me faz pensar numa torre
Acordo com olhos úmidos
Tem dragões no quintal

Um comentário em “Castelo

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  1. Os castelos e as prisões têm muito em comum. Seu poema me fez lembrar da queda da Bastilha. A imagem da liberdade derrubando as estruturas da casa é forte e bela.

    Os castelos, às prisões e os labirintos têm muito em comum…

    Curtido por 1 pessoa

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